Visita de um irmão ao Sudão do Sul
A violenta crise que eclodiu em meados de Dezembro 2013 esmagou o mais jovem e o mais pobre dos Estados do mundo. As negociações entre os representantes dos dois campos opostos estagnaram. A tristeza e ansiedade da população são grandes. Em áreas não afetadas pelos combates, a vida continua. Neste contexto, é difícil as pessoas deslocarem-se e programar com antecedência alguns encontros, mas uma visita fraterna permite expressar, concretamente, a solidariedade. Foi o que fez um dos irmãos da fraternidade de Taizé com sede em Nairobi, no vizinho Quénia. Ele escreve:
Evacuados com urgência durante a crise, os funcionários da ONG pouco a pouco foram regressando. O pessoal da igreja e os missionários não abandonaram o campo, alguns partilhando o destino das comunidades onde trabalhavam, nas suas deslocações forçadas e nos seus sofrimentos.
Em Juba, as igrejas transformaram-se em lugares de refúgio. Quando fui lá, muitos tinham deixado as paróquias onde eles se tinham refugiado. Mas no Gumbo, nos arredores de Juba, o padre David, salesiano originário da Índia, assume já há seis meses o seu acolhimento, sem o apoio de instituições internacionais: «Acolhemos 1600 deslocados no nosso campo, sendo que 1.200 são crianças, debaixo de 290 lonas de plástico. Eles chegaram de noite. Os homens ficaram para combater. A cólera afetou-nos, mas agora a situação está sob controlo.»

Creche no campo nº 1 em UN House Juba
A irmã Eugénie trabalha nos dois campos geridos pela ONU em Juba. Ela orienta-me pelo labirinto de vielas e nas passagens entre as cabanas. «A parte mais difícil para os homens é a inatividade. Não há trabalho.» A água do Nilo chega em camiões cisternas e é armazenada em tanques e tratada no local.

Seminaristas no seu dormitório
O Estado dos Lagos, no centro do país, é uma região de floresta e de pântanos. Durante a estação das chuvas, as estradas estão intransitáveis. Demora cerca de três horas para percorrer os 60 quilómetros que separam Rumbek, capital do Estado, de Mapuordit. Nesta grande vila, seminaristas no seu dormitório, no pequeno seminário, em Santa Bakhita vivem 53 rapazes originários das quinze paróquias da diocese. Eles estudam durante o dia na escola secundária nas proximidades. Eles acolheram-me durante três dias durante os quais partilhamos, tendo em conta a sua disponibilidade, momentos de oração e reflexão bíblica.
Daniel Ranthiar é agora por duas vezes pai. Sem ter conseguido concluir o ensino secundário, ele tornou-se vice-diretor do mesmo. No seu estabelecimento, ele acolhe dezoito raparigas de aldeias remotas que assim podem chegar mais facilmente à escola. Mas as condições são muito simples. O menu é o idêntico todos os dias: arroz e feijão vermelho. Sem energia elétrica e sobretudo sem água desde que a bomba do bairro deixou de funcionar. Este é o problema de toda a aldeia, das dezasseis bombas apenas três ainda funcionam. Muitos vão encher as vasilhas à torneira do seminário. Tenta-se recuperar a água da chuva, «mas não está limpa!» Mantém-se as poças de lama onde as mães vêm preencher seu pote de barro com um copo.

A família de Daniel Ranthiar
As irmãs de Loreto de Rumbek colocam toda a sua energia e habilidades ao serviço de uma causa: a educação das meninas. Nos países Dinka é uma emergência e um desafio considerável. As raparigas estão todas destinadas a casarem-se em troca de um dote em bovinos para a qual a família do futuro marido é solicitada. Conforme os pedidos, o pai pode decidir do dia para a noite casar a filha, que a partir desse momento passar a «pertencer» à família do marido, que teve de contribuir para o dote. Sr Orla é diretor do liceu: «Todas as semanas, temos um pedido para retirar uma aluna da escola. Às vezes, conseguimos convencer a família de que é melhor para que todos, deixá-la terminar a escolaridade.»

Turmas de 1º ciclo debaixo das árvores, Loreto – Rumbek
Reunimo-nos para começar uma reflexão e estabelecer o tempo de oração com todas as alunas. Algumas já eram líderes no ano passado e constituíram um núcleo muito motivado. Eles continuaram a preparar orações na escola durante todo o ano. O tema desta semana: «Tornar-nos líderes segundo o Evangelho». Desenvolvemo-lo em três etapas: como ser um líder na oração, no serviço aos outros, na proclamação da Palavra de Deus. Às 14:30 lançamento da reflexão bíblica, seguida dos primeiros 45 minutos de reflexão pessoal e do mesmo tempo para a partilha em pequenos grupos.

Grupo de partilha de Loreto – Rumbek
Um dos especialistas no Sudão do Sul partilha a sua análise sobre a crise atual. «Muitos países conheceram um período turbulento após a conquista da independência: os primeiros Estados Unidos em primeiro lugar... Seria uma constante na história? Esta guerra não é bonita. Os sudaneses norte fazem jogo duplo; oficialmente, eles apoiam Juba, mas permitem também a entrega de armas aos rebeldes assim como o seu ajuntamento no outro lado da fronteira. Na altura da independência há três anos, os problemas do país não foram tidos em conta. Agora tudo está sobre a mesa, não podemos escondê-los mais. Mas isso vai levar tempo.»
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