segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Peregrinação de Confiança


Notícias das pequenas fraternidades provisórias

Notícias das pequenas fraternidades provisórias

Até ao Verão de 2015, pequenos grupos de jovens vivem em comunidade durante algumas semanas, no coração de um bairro ou de uma aldeia, para aí dar testemunho do Evangelho e partilhar as alegrias e as tristezas dos habitantes. A vida é ritmada por três orações comunitárias diárias, trabalho pastoral e social com as comunidades cristãs locais, visitas a pessoas isoladas ou em situação de sofrimento, animação de orações abertas a todos e de encontros de jovens.
Nesta página, actualizada regularmente, será possível acompanhar as notícias destas pequenas fraternidades provisórias.
Mal podemos acreditar que já passaram as duas primeiras semanas da nossa estadia em Bragança. Estamos a gostar muito deste tempo. Encontramos pessoas extremamente simpáticas e generosas.
 
Também estamos muito contentes com o nosso trabalho, numa instituição com diferentes tipos de trabalho social. A maior parte do tempo estamos com pessoas de idade que vivem na pobreza. Cantamos com elas, levamo-las à igreja e, sobretudo, procuramos falar com elas. Como nós não falamos todas português, no princípio a comunicação era um pouco difícil. Mas aprendemos que também podemos comunicar com uma mistura de diferentes línguas e de sorrisos. Duas vezes por semana, trabalhamos com crianças de famílias pobres. Gostamos muito de estar com estas pessoas. Todos os dias aprendemos qualquer coisa e elas tornam-se cada vez mais familiares. Adoramos passar o tempo com elas.
 
Nas nossas orações comunitárias, há sempre pessoas que vêm rezar connosco.
Lisa, Magarete e Anna, em Bragança

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Taizé Riga: Ecos

RIGA, SETEMBRO DE 2014

Jovens em terras bálticas como «peregrinos da paz e da confiança»

De 26 a 28 de Setembro de 2014, teve lugar em Riga, na capital da Letónia, um encontro animado pela comunidade de Taizé. Há vários anos, os arcebispos luterano e católico tinham feito o convite. Foi no decorrer do encontro de Estrasburgo que a notícia pôde ser confirmada pelo irmão Alois: uma etapa da peregrinação de confiança através da terra teria lugar na Letónia, cinco anos após o encontro de Vilnius, na vizinha Lituânia.
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Oração de sábado à noite na igreja de S. Pedro
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Elizabete, da Letónia, fez parte da equipa de voluntários que ajudaram durante o encontro. Ela testemunha :
Foi fantástico ver quantos jovens vieram à nossa cidade de Riga. Como voluntária, fiquei muito feliz por dar o meu contributo nestes três belos dias, vividos numa grande confiança pelos jovens peregrinos. Estar juntos na oração comunitária, encontrar pessoas novas e rever amigos de Taizé fez-me compreender que Deus actua por todo o lado onde vamos e onde vivamos. Eu penso que, depois destes dias, temos mais esperança do que nunca para a Letónia e para a Europa de Leste.

O acolhimento em Riga e a hospitalidade nas famílias
Além dos jovens da Letónia, contámos várias centenas vindos dos países Bálticos, da Ucrânia, da Polónia, da Bielorrússia e da Rússia. Outros ainda vindos em pequenos grupos ou individualmente, originários de diversos países da Europa.
Os grupos e as pessoas que vieram individualmente foram convidados à chegada, a dirigir-se à igreja de Sta. Gertrude, onde teve lugar o acolhimento. Cada um recebia então um programa disponível em diferentes línguas (letão, inglês, russo, ucraniano, polaco) e era-lhe atribuída uma paróquia de acolhimento. Nesta paróquia, os jovens eram de seguida enviados para a respectiva família de acolhimento, todos os participantes foram acolhidos em famílias. Dois de entre eles, a Talitha e o Philip, da Alemanha, disseram no fim do primeiro dia:
Ao chegar ao lugar de acolhimento, à igreja de Sta. Gertrude, nós experimentámos um sentimento de hospitalidade, de calor e de alegria. Os organizadores do encontro de Riga conseguiram recrear a atmosfera particular de Taizé neste lugar e nós encontrávamo-nos subitamente como em casa.
Oração na igreja de Sta. Gertrude
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Uma outra jovem, Sofia da Suécia, descreve assim a forma como foi acolhida:
Eu fui acolhida em casa de uma jovem da minha idade, que me abriu o seu pequeno apartamento. Nós descobrimos muitos pontos em comum entre nós, apesar dos nossos modos de vida diferentes. Ela tinha muitas questões sobre a fé e a religião e o meu ponto de vista sobre a religião era diferente do que ela esperava. À noite bebíamos chá, falávamos daquilo que faz de nós cristãos – foi muito interessante. Eu encorajei-a a vir participar na oração na igreja de São Pedro no sábado à noite, e ela gostou imenso, em particular as velas.
O irmão Alois sublinhou este reconhecimento dirigido às Igrejas e às famílias de acolhimento de Riga, numa das suas meditações:
«Para nós os irmãos de Taizé, é uma alegria estar em Riga, para esta etapa da peregrinação de confiança sobre a terra. […] Nós gostaríamos de agradecer àqueles e àquelas que nos acolhem. Entre os dons que Deus concedeu aos Letões, está certamente o da hospitalidade. E os jovens dos países Bálticos têm ainda tantos outros valores a partilhar. Nós alegramo-nos por aprender a descobri-los.»

As orações comunitárias reuniram 2000 pessoas no centro da cidade de Riga
Ao longo do fim-de-semana, o lugar central do encontro foi a igreja luterana São Pedro, no centro histórico de Riga, onde tiveram lugar os tempos de oração comunitária. No sábado à noite, os dois arcebispos católico e luterano, Janis Vanags e Zbignevs Stankievics, saudaram os participantes do encontro.
Um representante do metropolita ortodoxo de Riga esteve igualmente presente, pois a Igreja ortodoxa apoiou o encontro pela animação de dois ateliers e no acolhimento dos jovens participantes ortodoxos na liturgia da manhã de domingo. As comunidades baptistas e metodistas também participaram no acolhimento dos jovens.
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Os ateliers de sábado: uma paleta impressionante de temáticas
Na tarde de sábado, tiveram lugar ateliers sobre temas muito diversos entre os quais: «Silêncio e oração interior» com o arcebispo luterano, «Unidade, reconciliação, comunidade» com o arcebispo católico, «Introdução à iconografia ortodoxa», «Servir os pobres».
Duas jovens advogadas empenhadas na defesa dos direitos humanos animaram um atelier sobre o tema «Importância da reconciliação na sociedade de hoje»; A Ilze e a Arina, da Letónia, descrevem assim esta experiência:
Nós tomámos consciência de quanto os jovens estão prontos a dar o primeiro passo para tornar-se artesãos da paz nas suas comunidades. Não se trata de fazer um gesto impressionante ou um acto de grande influência, mas pode tratar-se de uma simples conversa ou de uma abertura face àqueles que nos feriram. É impressionante como através da escuta de experiências de outras pessoas e da partilha da nossa própria experiência de vida, nós tenhamos chegado à mesma conclusão expressa pelo irmão Alois durante a oração de domingo: a paz e a reconciliação começam antes de mais com cada um de nós.»
A respeito deste último atelier, uma jovem da Suécia, Martina, dizia ainda:
No final do encontro, particularmente depois da partilha sobre o chamamento a «tornar-se o sal da terra» e depois de ter participado no atelier sobre a reconciliação na sociedade, comecei a reflectir: que podemos nós fazer, como pessoas comuns, para fazer deste mundo aquilo que ele deveria ser? Um dos maiores perigos nos conflitos entre os povos, as nações e/ou as etnias, é desumanizar o outro. Eu creio que só tratando a outra pessoa como um verdadeiro ser humano podemos esperar a reconciliação.
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Atelier no centro da cidade de Riga

Um encontro marcado pelas dificuldades do momento
Em algumas ocasiões, sobretudo aquando dos momentos de partilha, a história da terra letã e as questões ligadas à sua identidade emergiram. O contexto tenso do momento tornou ainda mais significativa a presença de numerosos jovens da Ucrânia e da Rússia, que o irmão Alois evocou também uma noite:
Estes dias nós partilhávamos a alegria que nos vem de Deus, mas nós não esquecemos que cada um de nós traz consigo fardos, por vezes muito pesados. Para uns são sofrimentos pessoais, para outros um futuro sem grandes expectativas, outros ainda trazem consigo os fardos dos seus próprios povos. Eu penso em particular naqueles vindos da Rússia e da Ucrânia. [...]
O que é que nos reuniu estes dias em Riga? Num mundo onde vemos tantos conflitos, armados ou não, nós viemos como peregrinos de paz e de confiança. Nós experimentámos a alegria de estar juntos numa grande diversidade e de sentir uma solidariedade profunda. Nós agradecemos a Deus reunir-nos, além das fronteiras e das e das culturas, numa comunhão única que é a Igreja.
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Dois jovens da Rússia, nos seus testemunhos escritos depois do encontro, partilharam também sobre este contexto regional difícil. Varia, de Saint-Petersbourg, diz ainda:
Durante uma das orações, percebi o quão feliz estava entre pessoas que rezavam juntas, esquecendo as divisões e inimizades. Vi ainda e ainda uma atitude amigável, acolhedora; e a hospitalidade ajuda-nos a ultrapassar os preconceitos. A oração comunitária nas nossas próprias línguas era um sinal de amizade, como a realidade visível do encontro. O lado invisível, é a presença de Deus, tão próximo nos nossos corações.
E Misha, de Moscovo, por sua vez escreveu:
Na nossa região, nós temos muitos sentimentos difíceis, devidos a uma história complexa nas nossas relações e mesmo a conflitos em curso. Eu vim portanto a Riga na esperança de um milagre – o de estar juntos diante do Senhor. Sem julgar, mas rezando. Juntos, e uns pelos outros. E estou grata aos organizadores do encontro por não terem assumido que estas questões não tinham importância, mas antes de as abordarem com muito cuidado e tacto. Além disso, no contexto da situação na nossa região, cantar juntos os cânticos de Taizé em russo – apesar de todas estas dificuldades – foi para mim um verdadeiro sinal de esperança.

O resultado de todo o trabalho de preparação
O encontro de fim-de-semana foi preparado durante vários meses, sobretudo graças a uma equipa de jovens de diferentes Igrejas, apoiados pelos seus pastores. Na Primavera, duas jovens voluntárias enviadas de Taizé vieram também à Letónia. Maria, da Roménia, era uma delas:
Desde que visitámos a Letónia, em Maio de 2014, durante duas semanas e meia, eu pude ver e sentir o grande desejo dos Letões de acolher este encontro – o desejo de partilhar, de acolher outras pessoas, de ser conhecidos e de criar novos laços no seio da família humana e dos cristãos. É uma grande alegria estar aqui estes dias e ver que o encontro corre bem – ver rostos familiares radiosos de alegria, a igreja cheia de jovens, e de sentir esta unidade além fronteiras. Como sempre, este encontro é um grande sinal de esperança para todos aqueles que estão implicados.
A outra voluntária, Mary, da Coreia, também participou no encontro:
Nós estamos felizes por estar de regresso a Riga! Como voluntárias de Taizé, nós estivemos na Letónia em Maio para informar e convidar os jovens a participar no encontro. E agora, tudo se passa numa bela atmosfera. Os Letões estão felizes por acolher pessoas de diferentes países. Nós rezamos juntos, cantamos juntos, comemos juntos – o todo, «junto» em Deus. É muito bonito ver e sentir isto.

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Oração da manhã na igreja luterana São João

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Taizé Praga


De 29 de Dezembro a 2 de Janeiro de 2015 milhares de jovens vão estar reunidos em Praga para mais uma etapa da Peregrinação de Confiança sobre a terra de volta a Praga 24 anos depois do primeiro encontro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tens planos para o fim de ano?

Peregrinar com Taizé rumo a Praga de 29/12 a 02/01

inscrições: https://docs.google.com/forms/d/1172jn5rcTG5z977zO_SN6xqciI1lGLL8tDKdGXsKnRc/viewform?c=0&w=1

inf: SDPJ - Porto
Sérgio Mendes 
Telef.: 93 668 38 10
sergio26rodrigo@gmail.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UMA PALAVRA BÍBLICA

UMA PALAVRA BÍBLICA

A Igreja

Antes de se tornar numa palavra do credo, da teologia e do catecismo, «Igreja» é uma palavra bíblica. O que se segue não é uma meditação sobre a Igreja, mas uma tentativa de reencontrar como os leitores do Novo Testamento percebiam esta palavra, com a esperança de lhe devolver um pouco da sua frescura primeira.
A palavra ekklesia aparece mais de duzentas vezes na Bíblia grega que a maioria dos cristãos dos primeiros séculos lia. O que pode surpreender-nos é que se encontra quase tantas vezes no Antigo como no Novo Testamento. Na versão grega do Antigo Testamento, ekklesia designa em geral a assembleia do povo de Deus.
No Novo Testamento, ekklesia designa tanto uma assembleia local como o conjunto dos cristãos. Mas há excepções interessantes. Lucas, autor de um Evangelho e dos Actos dos Apóstolos, utiliza-a também para a assembleia de uma cidade (ver Actos 19,23-40). Ekklesia não estava portanto reservada a um uso religioso. A palavra evocava a vida das cidades gregas com as suas assembleias, onde se discutiam os assuntos públicos.
Outra excepção é que, mesmo no Novo Testamento, ekklesia pode designar o povo de Deus da Primeira Aliança. Estevão chama ekklesia ao povo reunido no deserto em volta de Moisés (Actos 7,38). E a epístola aos Hebreus cita um versículo do salmo 22: «Louvar-te-ei no meio da ekklesia» (Hebreus 2,12). Será que se deve traduzir «no meio da assembleia» ou «no meio da igreja»? O salmo fala da assembleia de Israel. Mas como a epístola aos Hebreus põe estas palavras na boca de Cristo ressuscitado, trata-se também da igreja.
O uso bíblico liga portanto aquilo que nós temos por hábito distinguir. O exemplo da epístola aos Hebreus convida a deixar as escrituras da Primeira Aliança falar da igreja da Nova Aliança. Então o sentido da palavra ekklesia alarga-se. O seu uso pelos Salmos, nomeadamente, confere-lhe como que um aspecto musical. A ekklesia torna-se a assembleia em festa, aquela que o canto de Cristo reúne.
A palavra ekklesia é frequente nos Actos dos Apóstolos, mas curiosamente ausente dos seus primeiros capítulos. A comunidade nascida no Pentecostes não se chama ekklesia. Trata-se simplesmente de «todos os crentes» (Actos 2,44). Depois aparece a palavra plêthos (Actos 4,32), que é possível traduzir como «a multidão dos crentes». Mas os paralelos extra-bíblicos permitiram aos exegetas reconhecer que plêthos pode referir-se a uma comunidade. Por vezes traduz-se esta palavra por «assembleia» ou «assembleia plenária» (por exemplo em Actos 6,2), mas não é exactamente sinónimo de ekklesia. O plêthos, à semelhança de outros grupos que existiam na época em Jerusalém, é uma comunidade constituída que tem as suas regras de pertença, os seus ritos e os seus responsáveis.
Deste modo, os Actos dos Apóstolos conservaram marcas pelo facto de ekklesia não ser imediatamente utilizada para designar as comunidades cristãs. E graças às cartas de Clemente, bispo de Roma, e de Inácio, bispo de Antioquia, sabemos que as duas palavras plêthos e ekklesia coexistiram pelo menos até ao início do século II. Mas que traços distintivos das comunidades cristãs realça a palavra ekklesia? E por que razão foi ela que prevaleceu? Os Actos deixam perceber que o apóstolo Paulo tem algo a ver com isso, dado que a palavra começa a desempenhar um papel ao mesmo tempo que o próprio Paulo (Actos 8). O que as cartas de Paulo também confirmam, nas quais a palavra ekklesia é particularmente frequente.
Porque terá Paulo preferido ekklesia? Nesta palavra, há o verbo «chamar». Se, por um lado, plêthos designa a comunidade, ekklesia é, tanto no mundo grego como na Bíblia, uma assembleia convocada. Dir-se-ia que cada vez que Paulo diz ekklesia, ele refere-se a «convocação» ou «chamamento». Para ele, «a igreja de Deus» são «os santos por vocação» (1 Coríntios 1,2), aqueles que foram «chamados à comunhão» de Cristo (1 Coríntios 1,9).
Meio século mais tarde, escrevendo aos cristãos de Esmirna, Inácio de Antioquia qualificará pela primeira vez a ekklesia de «católica», ou seja universal: «Aonde aparecer o bispo, aí está a comunidade (plêthos), tal como aonde está Jesus Cristo, aí está a igreja (ekklesia) católica». Os cristãos formam comunidades concretas. Mas tanto para Inácio como para Paulo, a palavra mais bela é «igreja». Uma vez que nesta palavra o ênfase não incide sobre a administração de uma comunidade, mas sobre o apelo universal do evangelho de Cristo. E o adjectivo «católica» sublinha que um único e mesmo evangelho, em todo o lugar e em todo o tempo, chama à única comunhão de Cristo.