quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Taizé Riga: Ecos

RIGA, SETEMBRO DE 2014

Jovens em terras bálticas como «peregrinos da paz e da confiança»

De 26 a 28 de Setembro de 2014, teve lugar em Riga, na capital da Letónia, um encontro animado pela comunidade de Taizé. Há vários anos, os arcebispos luterano e católico tinham feito o convite. Foi no decorrer do encontro de Estrasburgo que a notícia pôde ser confirmada pelo irmão Alois: uma etapa da peregrinação de confiança através da terra teria lugar na Letónia, cinco anos após o encontro de Vilnius, na vizinha Lituânia.
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Oração de sábado à noite na igreja de S. Pedro
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Elizabete, da Letónia, fez parte da equipa de voluntários que ajudaram durante o encontro. Ela testemunha :
Foi fantástico ver quantos jovens vieram à nossa cidade de Riga. Como voluntária, fiquei muito feliz por dar o meu contributo nestes três belos dias, vividos numa grande confiança pelos jovens peregrinos. Estar juntos na oração comunitária, encontrar pessoas novas e rever amigos de Taizé fez-me compreender que Deus actua por todo o lado onde vamos e onde vivamos. Eu penso que, depois destes dias, temos mais esperança do que nunca para a Letónia e para a Europa de Leste.

O acolhimento em Riga e a hospitalidade nas famílias
Além dos jovens da Letónia, contámos várias centenas vindos dos países Bálticos, da Ucrânia, da Polónia, da Bielorrússia e da Rússia. Outros ainda vindos em pequenos grupos ou individualmente, originários de diversos países da Europa.
Os grupos e as pessoas que vieram individualmente foram convidados à chegada, a dirigir-se à igreja de Sta. Gertrude, onde teve lugar o acolhimento. Cada um recebia então um programa disponível em diferentes línguas (letão, inglês, russo, ucraniano, polaco) e era-lhe atribuída uma paróquia de acolhimento. Nesta paróquia, os jovens eram de seguida enviados para a respectiva família de acolhimento, todos os participantes foram acolhidos em famílias. Dois de entre eles, a Talitha e o Philip, da Alemanha, disseram no fim do primeiro dia:
Ao chegar ao lugar de acolhimento, à igreja de Sta. Gertrude, nós experimentámos um sentimento de hospitalidade, de calor e de alegria. Os organizadores do encontro de Riga conseguiram recrear a atmosfera particular de Taizé neste lugar e nós encontrávamo-nos subitamente como em casa.
Oração na igreja de Sta. Gertrude
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Uma outra jovem, Sofia da Suécia, descreve assim a forma como foi acolhida:
Eu fui acolhida em casa de uma jovem da minha idade, que me abriu o seu pequeno apartamento. Nós descobrimos muitos pontos em comum entre nós, apesar dos nossos modos de vida diferentes. Ela tinha muitas questões sobre a fé e a religião e o meu ponto de vista sobre a religião era diferente do que ela esperava. À noite bebíamos chá, falávamos daquilo que faz de nós cristãos – foi muito interessante. Eu encorajei-a a vir participar na oração na igreja de São Pedro no sábado à noite, e ela gostou imenso, em particular as velas.
O irmão Alois sublinhou este reconhecimento dirigido às Igrejas e às famílias de acolhimento de Riga, numa das suas meditações:
«Para nós os irmãos de Taizé, é uma alegria estar em Riga, para esta etapa da peregrinação de confiança sobre a terra. […] Nós gostaríamos de agradecer àqueles e àquelas que nos acolhem. Entre os dons que Deus concedeu aos Letões, está certamente o da hospitalidade. E os jovens dos países Bálticos têm ainda tantos outros valores a partilhar. Nós alegramo-nos por aprender a descobri-los.»

As orações comunitárias reuniram 2000 pessoas no centro da cidade de Riga
Ao longo do fim-de-semana, o lugar central do encontro foi a igreja luterana São Pedro, no centro histórico de Riga, onde tiveram lugar os tempos de oração comunitária. No sábado à noite, os dois arcebispos católico e luterano, Janis Vanags e Zbignevs Stankievics, saudaram os participantes do encontro.
Um representante do metropolita ortodoxo de Riga esteve igualmente presente, pois a Igreja ortodoxa apoiou o encontro pela animação de dois ateliers e no acolhimento dos jovens participantes ortodoxos na liturgia da manhã de domingo. As comunidades baptistas e metodistas também participaram no acolhimento dos jovens.
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Os ateliers de sábado: uma paleta impressionante de temáticas
Na tarde de sábado, tiveram lugar ateliers sobre temas muito diversos entre os quais: «Silêncio e oração interior» com o arcebispo luterano, «Unidade, reconciliação, comunidade» com o arcebispo católico, «Introdução à iconografia ortodoxa», «Servir os pobres».
Duas jovens advogadas empenhadas na defesa dos direitos humanos animaram um atelier sobre o tema «Importância da reconciliação na sociedade de hoje»; A Ilze e a Arina, da Letónia, descrevem assim esta experiência:
Nós tomámos consciência de quanto os jovens estão prontos a dar o primeiro passo para tornar-se artesãos da paz nas suas comunidades. Não se trata de fazer um gesto impressionante ou um acto de grande influência, mas pode tratar-se de uma simples conversa ou de uma abertura face àqueles que nos feriram. É impressionante como através da escuta de experiências de outras pessoas e da partilha da nossa própria experiência de vida, nós tenhamos chegado à mesma conclusão expressa pelo irmão Alois durante a oração de domingo: a paz e a reconciliação começam antes de mais com cada um de nós.»
A respeito deste último atelier, uma jovem da Suécia, Martina, dizia ainda:
No final do encontro, particularmente depois da partilha sobre o chamamento a «tornar-se o sal da terra» e depois de ter participado no atelier sobre a reconciliação na sociedade, comecei a reflectir: que podemos nós fazer, como pessoas comuns, para fazer deste mundo aquilo que ele deveria ser? Um dos maiores perigos nos conflitos entre os povos, as nações e/ou as etnias, é desumanizar o outro. Eu creio que só tratando a outra pessoa como um verdadeiro ser humano podemos esperar a reconciliação.
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Atelier no centro da cidade de Riga

Um encontro marcado pelas dificuldades do momento
Em algumas ocasiões, sobretudo aquando dos momentos de partilha, a história da terra letã e as questões ligadas à sua identidade emergiram. O contexto tenso do momento tornou ainda mais significativa a presença de numerosos jovens da Ucrânia e da Rússia, que o irmão Alois evocou também uma noite:
Estes dias nós partilhávamos a alegria que nos vem de Deus, mas nós não esquecemos que cada um de nós traz consigo fardos, por vezes muito pesados. Para uns são sofrimentos pessoais, para outros um futuro sem grandes expectativas, outros ainda trazem consigo os fardos dos seus próprios povos. Eu penso em particular naqueles vindos da Rússia e da Ucrânia. [...]
O que é que nos reuniu estes dias em Riga? Num mundo onde vemos tantos conflitos, armados ou não, nós viemos como peregrinos de paz e de confiança. Nós experimentámos a alegria de estar juntos numa grande diversidade e de sentir uma solidariedade profunda. Nós agradecemos a Deus reunir-nos, além das fronteiras e das e das culturas, numa comunhão única que é a Igreja.
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Dois jovens da Rússia, nos seus testemunhos escritos depois do encontro, partilharam também sobre este contexto regional difícil. Varia, de Saint-Petersbourg, diz ainda:
Durante uma das orações, percebi o quão feliz estava entre pessoas que rezavam juntas, esquecendo as divisões e inimizades. Vi ainda e ainda uma atitude amigável, acolhedora; e a hospitalidade ajuda-nos a ultrapassar os preconceitos. A oração comunitária nas nossas próprias línguas era um sinal de amizade, como a realidade visível do encontro. O lado invisível, é a presença de Deus, tão próximo nos nossos corações.
E Misha, de Moscovo, por sua vez escreveu:
Na nossa região, nós temos muitos sentimentos difíceis, devidos a uma história complexa nas nossas relações e mesmo a conflitos em curso. Eu vim portanto a Riga na esperança de um milagre – o de estar juntos diante do Senhor. Sem julgar, mas rezando. Juntos, e uns pelos outros. E estou grata aos organizadores do encontro por não terem assumido que estas questões não tinham importância, mas antes de as abordarem com muito cuidado e tacto. Além disso, no contexto da situação na nossa região, cantar juntos os cânticos de Taizé em russo – apesar de todas estas dificuldades – foi para mim um verdadeiro sinal de esperança.

O resultado de todo o trabalho de preparação
O encontro de fim-de-semana foi preparado durante vários meses, sobretudo graças a uma equipa de jovens de diferentes Igrejas, apoiados pelos seus pastores. Na Primavera, duas jovens voluntárias enviadas de Taizé vieram também à Letónia. Maria, da Roménia, era uma delas:
Desde que visitámos a Letónia, em Maio de 2014, durante duas semanas e meia, eu pude ver e sentir o grande desejo dos Letões de acolher este encontro – o desejo de partilhar, de acolher outras pessoas, de ser conhecidos e de criar novos laços no seio da família humana e dos cristãos. É uma grande alegria estar aqui estes dias e ver que o encontro corre bem – ver rostos familiares radiosos de alegria, a igreja cheia de jovens, e de sentir esta unidade além fronteiras. Como sempre, este encontro é um grande sinal de esperança para todos aqueles que estão implicados.
A outra voluntária, Mary, da Coreia, também participou no encontro:
Nós estamos felizes por estar de regresso a Riga! Como voluntárias de Taizé, nós estivemos na Letónia em Maio para informar e convidar os jovens a participar no encontro. E agora, tudo se passa numa bela atmosfera. Os Letões estão felizes por acolher pessoas de diferentes países. Nós rezamos juntos, cantamos juntos, comemos juntos – o todo, «junto» em Deus. É muito bonito ver e sentir isto.

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Oração da manhã na igreja luterana São João

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Taizé Praga


De 29 de Dezembro a 2 de Janeiro de 2015 milhares de jovens vão estar reunidos em Praga para mais uma etapa da Peregrinação de Confiança sobre a terra de volta a Praga 24 anos depois do primeiro encontro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tens planos para o fim de ano?

Peregrinar com Taizé rumo a Praga de 29/12 a 02/01

inscrições: https://docs.google.com/forms/d/1172jn5rcTG5z977zO_SN6xqciI1lGLL8tDKdGXsKnRc/viewform?c=0&w=1

inf: SDPJ - Porto
Sérgio Mendes 
Telef.: 93 668 38 10
sergio26rodrigo@gmail.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UMA PALAVRA BÍBLICA

UMA PALAVRA BÍBLICA

A Igreja

Antes de se tornar numa palavra do credo, da teologia e do catecismo, «Igreja» é uma palavra bíblica. O que se segue não é uma meditação sobre a Igreja, mas uma tentativa de reencontrar como os leitores do Novo Testamento percebiam esta palavra, com a esperança de lhe devolver um pouco da sua frescura primeira.
A palavra ekklesia aparece mais de duzentas vezes na Bíblia grega que a maioria dos cristãos dos primeiros séculos lia. O que pode surpreender-nos é que se encontra quase tantas vezes no Antigo como no Novo Testamento. Na versão grega do Antigo Testamento, ekklesia designa em geral a assembleia do povo de Deus.
No Novo Testamento, ekklesia designa tanto uma assembleia local como o conjunto dos cristãos. Mas há excepções interessantes. Lucas, autor de um Evangelho e dos Actos dos Apóstolos, utiliza-a também para a assembleia de uma cidade (ver Actos 19,23-40). Ekklesia não estava portanto reservada a um uso religioso. A palavra evocava a vida das cidades gregas com as suas assembleias, onde se discutiam os assuntos públicos.
Outra excepção é que, mesmo no Novo Testamento, ekklesia pode designar o povo de Deus da Primeira Aliança. Estevão chama ekklesia ao povo reunido no deserto em volta de Moisés (Actos 7,38). E a epístola aos Hebreus cita um versículo do salmo 22: «Louvar-te-ei no meio da ekklesia» (Hebreus 2,12). Será que se deve traduzir «no meio da assembleia» ou «no meio da igreja»? O salmo fala da assembleia de Israel. Mas como a epístola aos Hebreus põe estas palavras na boca de Cristo ressuscitado, trata-se também da igreja.
O uso bíblico liga portanto aquilo que nós temos por hábito distinguir. O exemplo da epístola aos Hebreus convida a deixar as escrituras da Primeira Aliança falar da igreja da Nova Aliança. Então o sentido da palavra ekklesia alarga-se. O seu uso pelos Salmos, nomeadamente, confere-lhe como que um aspecto musical. A ekklesia torna-se a assembleia em festa, aquela que o canto de Cristo reúne.
A palavra ekklesia é frequente nos Actos dos Apóstolos, mas curiosamente ausente dos seus primeiros capítulos. A comunidade nascida no Pentecostes não se chama ekklesia. Trata-se simplesmente de «todos os crentes» (Actos 2,44). Depois aparece a palavra plêthos (Actos 4,32), que é possível traduzir como «a multidão dos crentes». Mas os paralelos extra-bíblicos permitiram aos exegetas reconhecer que plêthos pode referir-se a uma comunidade. Por vezes traduz-se esta palavra por «assembleia» ou «assembleia plenária» (por exemplo em Actos 6,2), mas não é exactamente sinónimo de ekklesia. O plêthos, à semelhança de outros grupos que existiam na época em Jerusalém, é uma comunidade constituída que tem as suas regras de pertença, os seus ritos e os seus responsáveis.
Deste modo, os Actos dos Apóstolos conservaram marcas pelo facto de ekklesia não ser imediatamente utilizada para designar as comunidades cristãs. E graças às cartas de Clemente, bispo de Roma, e de Inácio, bispo de Antioquia, sabemos que as duas palavras plêthos e ekklesia coexistiram pelo menos até ao início do século II. Mas que traços distintivos das comunidades cristãs realça a palavra ekklesia? E por que razão foi ela que prevaleceu? Os Actos deixam perceber que o apóstolo Paulo tem algo a ver com isso, dado que a palavra começa a desempenhar um papel ao mesmo tempo que o próprio Paulo (Actos 8). O que as cartas de Paulo também confirmam, nas quais a palavra ekklesia é particularmente frequente.
Porque terá Paulo preferido ekklesia? Nesta palavra, há o verbo «chamar». Se, por um lado, plêthos designa a comunidade, ekklesia é, tanto no mundo grego como na Bíblia, uma assembleia convocada. Dir-se-ia que cada vez que Paulo diz ekklesia, ele refere-se a «convocação» ou «chamamento». Para ele, «a igreja de Deus» são «os santos por vocação» (1 Coríntios 1,2), aqueles que foram «chamados à comunhão» de Cristo (1 Coríntios 1,9).
Meio século mais tarde, escrevendo aos cristãos de Esmirna, Inácio de Antioquia qualificará pela primeira vez a ekklesia de «católica», ou seja universal: «Aonde aparecer o bispo, aí está a comunidade (plêthos), tal como aonde está Jesus Cristo, aí está a igreja (ekklesia) católica». Os cristãos formam comunidades concretas. Mas tanto para Inácio como para Paulo, a palavra mais bela é «igreja». Uma vez que nesta palavra o ênfase não incide sobre a administração de uma comunidade, mas sobre o apelo universal do evangelho de Cristo. E o adjectivo «católica» sublinha que um único e mesmo evangelho, em todo o lugar e em todo o tempo, chama à única comunhão de Cristo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

CARAÍBAS

CARAÍBAS

Peregrinação de confiança em Outubro 2014

Neste ano em que Taizé procura estar mais particularmente à escuta dos jovens da América latina, teve lugar no México um encontro que reuniu vários milhares de jovens no início de Maio. Este Outono, a «a peregrinação de confiança sobre a terra» continuará por etapas nas Caraíbas, animadas pelo irmão Alois.

Porto Rico

A primeira terá lugar em Porto Rico, a 8 de Outubro, para uma noite de oração na Catedral de Caguas, a segunda cidade da ilha. Porto Rico é muitas vezes chamada de «Isla del Encanto», que significa ilha do encantamento. Mas, por trás da beleza das suas praias, Porto Rico é marcada pela violência e também por um combate profundo para definir a sua identidade. Durante centenas de anos, Porto Rico foi colonizada por Espanha, tendo os seus habitantes recebido a língua espanhola, a religião e as suas raízes latino-americanas. Mas desde há cem anos, é um estado livre associado aos Estados Unidos. Para muitos jovens Portoriquenhos, uma questão importante é: quem são eles, Latino-Americanos ou antes um dos Estados Unidos da América? Para estes jovens, viver a peregrinação de confiança, tratar-se-á de encontrar a sua identidade profunda em Cristo, para construir um futuro de paz para todos.
Para mais informações, contactar:

Haiti

Depois desta oração inicial, a peregrinação continuará no Haiti. Durante o fim-de-semana de 10 a 12 de Outubro, terão lugar três orações, em Nippes a 10, em Hinche a 11 e em Port-au-Prince a 12. O Haiti é um país muito presente no coração dos irmãos da comunidade de Taizé. O irmão Roger visitou-o em 1983, ele foi profundamente tocado pelo povo haitiano, pela sua capacidade de esperar e confiar apesar das numerosas dificuldades sociais e políticas às quais teve de fazer face. O irmão Alois, que participou nesta visita de 1983, voltou em 2010, no seguimento do violento tremor de terra que tanto atingiu este país.
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Cuba

A terceira etapa desta peregrinação será Cuba. É a primeira vez que a comunidade visitará este país. A 14 de Outubro, terá lugar, em Havana, uma oração na igreja do Sagrado Coração de Jesus e Inácio de Loyola, situada num bairro pobre conhecido como «Los Sítios». Desde há cerca de um ano, um grupo de jovens Cubanos rezam nesta igreja uma vez por mês com os cânticos de Taizé. A 15 de Outubro, terá lugar uma oração em Matanzas, a cerca de duas horas a oeste de Havana. Matanzas, cidade de numerosas pontes, é também um local onde há muitas igrejas protestantes. Este serão de oração pretende ser um meio de atravessar as pontes que separam muitas vezes os cristãos afim de que a Igreja possa ser um lugar de acolhimento para todos.
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República Dominicana

A peregrinação de confiança culminará num encontro de jovens durante o fim-de-semana de 17 a 19 de Outubro em Santo-Domingo, capital da República Dominicana. Este país partilha uma mesma ilha com o Haiti. Os dois povos estão marcados por uma história comum de violência e de conflitos armados. As divisões e feridas entre eles são profundas. Os jovens que se preparam para esta etapa da peregrinação de confiança esperam que muitos Dominicanos e Haitianos possam participar nela. Isso será um sinal de que um futuro de paz e de reconciliação é possível, quando numa grande simplicidade nós nos reunimos para rezar e para nos acolhermos uns aos outros.
Para mais informações contactar:

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A fé

A fé

Por que é preciso acreditar para ser salvo?


«O Evangelho é poder de Deus para salvação de todo o crente» (Romanos 1,16). A salvação é a libertação do que desfigura, diminui, destrói a vida. E o poder de que Deus se serve para salvar é «o Evangelho de seu Filho» (Romanos 1,9). Este Evangelho, boa nova, revela Deus dando tudo: o seu perdão, a sua vida, a sua alegria. É por isso que a salvação não está reservada para os que preencheriam certos critérios. É para os bons e para os maus, os sábios e os loucos. Deus salva «todos os que crêem».
Será então a fé a condição para receber este dom de Deus? Se assim fosse, a minha vida, a minha felicidade, a minha salvação dependeriam ao fim e ao cabo de mim mesmo. O que decidiria tudo seria a minha aceitação ou a minha recusa. Esta ideia não corresponde ao que a Bíblia entende ser a fé. A fé não é um meio de que nos servimos para obter qualquer coisa. É uma realidade bem mais humilde, uma simples confiança, sempre cheia de espanto: sem que eu tenha obedecido a nenhuma condição, Deus restabelece-me na sua amizade.
A fé é quase nada, mal se discerne – pequena como um grão de mostarda, diz Jesus (Lucas 17,6). Ao mesmo tempo, é «mais preciosa que o ouro» (1 Pedro 1,7), «santíssima» (Judas 20). Com a esperança e a caridade, permanece para sempre (1 Coríntios 13,13). No séc. VII, Máximo, o Confessor, identifica fé com reino de Deus: «A fé é o reino de Deus sem forma visível, o reino é a fé que tomou forma segundo Deus.» E acrescenta que a fé realiza «a união imediata e perfeita do crente com Deus em quem crê». A fé não é um bilhete de entrada para o reino de Deus. Na própria fé, Deus está presente. Quem acredita e confia no Evangelho já está unido a Deus.
Antes da vinda de Cristo, a fé não era a atitude habitual para se ligar a Deus. Houve crentes excepcionais, como Abraão, e no momento decisivo da travessia do Mar Vermelho, «o povo acreditou no Senhor e em Moisés seu servidor» (Êxodo 14,31). Mas, no dia a dia, a fidelidade contava mais do que a fé. A comunidade da primeira aliança não era formada pelos «crentes», mas pelos «humildes», «os justos», «os santos» (Salmo 34). Foi com o Evangelho de Cristo que a fé, que até aí era uma excepção, se torna normal, a ponto de se poder chamar os discípulos de Jesus simplesmente «os crentes» (Actos 2,44).
Pois, desde que o evangelho revela o dom de Deus sem medida nem moderação, a salvação é oferecida gratuitamente. Já não há condições a preencher, basta crer. Ninguém é excluído do amor de Deus, segundo as palavras do apóstolo Paulo: «Pusemos a nossa esperança em Deus vivo, o Salvador de todos os homens, sobretudo dos crentes» (1 Timóteo 4,10).

Que fazer quando não consigo acreditar?

O Novo Testamento fala quase tanto da dúvida como da fé. Os apóstolos não estavam muito surpreendidos pela dificuldade em acreditar, pois sabiam que ela estava predita pelos profetas. Paulo e João citam a palavra de Isaías: «Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?» (João 12,38 e Romanos 10,16). João acrescenta: «era o que Isaías tinha dito ainda: ‘Cegou-lhes os olhos e embotou-lhes o espírito, a fim de não verem com os olhos e não entenderem com o espírito’» (João 12, 39-40). Os quatro Evangelhos fazem todos referência a esta passagem de Isaías 6. A fé não é evidente.
O Evangelho de João mostra a fé no pano de fundo do seu oposto. Desde o início Cristo é ignorado: «Veio ao que era seu e os seus não o receberam» (João 1,10-11). É verdade que a certa altura, muitos seguiram Jesus. Mas, rapidamente, a maioria deixa de acreditar nele: «Muitos dos seus discípulos retiraram-se e já não andavam com ele» (João 6,66). Jesus não tenta agarrá-los. Constata: «Por isso é que vos disse: ‘Ninguém pode vir a mim se não lhe for concedido por meu Pai’» (João 6,65).
Cristo não procurou suscitar a adesão através da persuasão, pois a fé tem uma profundidade que ultrapassa a inteligência e as emoções. Enraíza-se nessas profundidades onde «o abismo chama outro abismo» (Salmo 42,8), onde o abismo da nossa condição humana toca no abismo de Deus. «Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não atrair» (João 6,44). A fé nasce inseparavelmente da actuação de Deus e da vontade humana. Ninguém acredita se não quiser. Também ninguém acredita sem que Deus o permita.
Se a fé é um dom de Deus e se nem todos acreditam, será que Deus afasta alguns? Na passagem onde João cita Isaías sobre a impossibilidade de crer, também transmite uma palavra de esperança de Jesus: «E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim» (João 12,32). Elevado sobre a cruz e elevado na glória de Deus, Cristo «atrai» como o Pai «atrai». Como é que ele faz para atingir todos os seres humanos? É impossível dizê-lo. Mas por que não havemos de confiar nele no que diz respeito àquilo que nos ultrapassa?
Até à última página, o Evangelho de João mostra a fragilidade da fé. A dúvida de Tomé tornou-se proverbial. Mas o que é decisivo é que, sem acreditar, permanece na comunidade dos crentes – e evidentemente, estes não o expulsam! Tomé espera, o Ressuscitado mostra-se a ele, e ele acredita. Depois Jesus diz: «Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditam!» (João 20,29). A fé não é um feito. Vem inesperadamente, ninguém sabe como. É uma confiança que se espanta com ela própria.
Carta de Taizé: 2004/6