terça-feira, 23 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
UMA PALAVRA BÍBLICA
UMA PALAVRA BÍBLICA
A Igreja
Antes de se tornar numa palavra do credo, da teologia e do catecismo, «Igreja» é uma palavra bíblica. O que se segue não é uma meditação sobre a Igreja, mas uma tentativa de reencontrar como os leitores do Novo Testamento percebiam esta palavra, com a esperança de lhe devolver um pouco da sua frescura primeira.
A palavra ekklesia aparece mais de duzentas vezes na Bíblia grega que a maioria dos cristãos dos primeiros séculos lia. O que pode surpreender-nos é que se encontra quase tantas vezes no Antigo como no Novo Testamento. Na versão grega do Antigo Testamento, ekklesia designa em geral a assembleia do povo de Deus.
No Novo Testamento, ekklesia designa tanto uma assembleia local como o conjunto dos cristãos. Mas há excepções interessantes. Lucas, autor de um Evangelho e dos Actos dos Apóstolos, utiliza-a também para a assembleia de uma cidade (ver Actos 19,23-40). Ekklesia não estava portanto reservada a um uso religioso. A palavra evocava a vida das cidades gregas com as suas assembleias, onde se discutiam os assuntos públicos.
Outra excepção é que, mesmo no Novo Testamento, ekklesia pode designar o povo de Deus da Primeira Aliança. Estevão chama ekklesia ao povo reunido no deserto em volta de Moisés (Actos 7,38). E a epístola aos Hebreus cita um versículo do salmo 22: «Louvar-te-ei no meio da ekklesia» (Hebreus 2,12). Será que se deve traduzir «no meio da assembleia» ou «no meio da igreja»? O salmo fala da assembleia de Israel. Mas como a epístola aos Hebreus põe estas palavras na boca de Cristo ressuscitado, trata-se também da igreja.
O uso bíblico liga portanto aquilo que nós temos por hábito distinguir. O exemplo da epístola aos Hebreus convida a deixar as escrituras da Primeira Aliança falar da igreja da Nova Aliança. Então o sentido da palavra ekklesia alarga-se. O seu uso pelos Salmos, nomeadamente, confere-lhe como que um aspecto musical. A ekklesia torna-se a assembleia em festa, aquela que o canto de Cristo reúne.
A palavra ekklesia é frequente nos Actos dos Apóstolos, mas curiosamente ausente dos seus primeiros capítulos. A comunidade nascida no Pentecostes não se chama ekklesia. Trata-se simplesmente de «todos os crentes» (Actos 2,44). Depois aparece a palavra plêthos (Actos 4,32), que é possível traduzir como «a multidão dos crentes». Mas os paralelos extra-bíblicos permitiram aos exegetas reconhecer que plêthos pode referir-se a uma comunidade. Por vezes traduz-se esta palavra por «assembleia» ou «assembleia plenária» (por exemplo em Actos 6,2), mas não é exactamente sinónimo de ekklesia. O plêthos, à semelhança de outros grupos que existiam na época em Jerusalém, é uma comunidade constituída que tem as suas regras de pertença, os seus ritos e os seus responsáveis.
Deste modo, os Actos dos Apóstolos conservaram marcas pelo facto de ekklesia não ser imediatamente utilizada para designar as comunidades cristãs. E graças às cartas de Clemente, bispo de Roma, e de Inácio, bispo de Antioquia, sabemos que as duas palavras plêthos e ekklesia coexistiram pelo menos até ao início do século II. Mas que traços distintivos das comunidades cristãs realça a palavra ekklesia? E por que razão foi ela que prevaleceu? Os Actos deixam perceber que o apóstolo Paulo tem algo a ver com isso, dado que a palavra começa a desempenhar um papel ao mesmo tempo que o próprio Paulo (Actos 8). O que as cartas de Paulo também confirmam, nas quais a palavra ekklesia é particularmente frequente.
Porque terá Paulo preferido ekklesia? Nesta palavra, há o verbo «chamar». Se, por um lado, plêthos designa a comunidade, ekklesia é, tanto no mundo grego como na Bíblia, uma assembleia convocada. Dir-se-ia que cada vez que Paulo diz ekklesia, ele refere-se a «convocação» ou «chamamento». Para ele, «a igreja de Deus» são «os santos por vocação» (1 Coríntios 1,2), aqueles que foram «chamados à comunhão» de Cristo (1 Coríntios 1,9).
Meio século mais tarde, escrevendo aos cristãos de Esmirna, Inácio de Antioquia qualificará pela primeira vez a ekklesia de «católica», ou seja universal: «Aonde aparecer o bispo, aí está a comunidade (plêthos), tal como aonde está Jesus Cristo, aí está a igreja (ekklesia) católica». Os cristãos formam comunidades concretas. Mas tanto para Inácio como para Paulo, a palavra mais bela é «igreja». Uma vez que nesta palavra o ênfase não incide sobre a administração de uma comunidade, mas sobre o apelo universal do evangelho de Cristo. E o adjectivo «católica» sublinha que um único e mesmo evangelho, em todo o lugar e em todo o tempo, chama à única comunhão de Cristo.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
CARAÍBAS
CARAÍBAS
Peregrinação de confiança em Outubro 2014
Neste ano em que Taizé procura estar mais particularmente à escuta dos jovens da América latina, teve lugar no México um encontro que reuniu vários milhares de jovens no início de Maio. Este Outono, a «a peregrinação de confiança sobre a terra» continuará por etapas nas Caraíbas, animadas pelo irmão Alois.
Porto Rico
A primeira terá lugar em Porto Rico, a 8 de Outubro, para uma noite de oração na Catedral de Caguas, a segunda cidade da ilha. Porto Rico é muitas vezes chamada de «Isla del Encanto», que significa ilha do encantamento. Mas, por trás da beleza das suas praias, Porto Rico é marcada pela violência e também por um combate profundo para definir a sua identidade. Durante centenas de anos, Porto Rico foi colonizada por Espanha, tendo os seus habitantes recebido a língua espanhola, a religião e as suas raízes latino-americanas. Mas desde há cem anos, é um estado livre associado aos Estados Unidos. Para muitos jovens Portoriquenhos, uma questão importante é: quem são eles, Latino-Americanos ou antes um dos Estados Unidos da América? Para estes jovens, viver a peregrinação de confiança, tratar-se-á de encontrar a sua identidade profunda em Cristo, para construir um futuro de paz para todos.
Para mais informações, contactar:
- Noryzel Gracia Pérez (1-787-568-9212) ou Karla Veguilla (1-939-579-3703).
- E-mail: taize.puertorico@gmail.com
- Facebook: https://www.facebook.com/taizepr
Haiti
Depois desta oração inicial, a peregrinação continuará no Haiti. Durante o fim-de-semana de 10 a 12 de Outubro, terão lugar três orações, em Nippes a 10, em Hinche a 11 e em Port-au-Prince a 12. O Haiti é um país muito presente no coração dos irmãos da comunidade de Taizé. O irmão Roger visitou-o em 1983, ele foi profundamente tocado pelo povo haitiano, pela sua capacidade de esperar e confiar apesar das numerosas dificuldades sociais e políticas às quais teve de fazer face. O irmão Alois, que participou nesta visita de 1983, voltou em 2010, no seguimento do violento tremor de terra que tanto atingiu este país.
Para mais informações, contactar:
- Bernard Guiving
- Courriel : guyving@yahoo.fr
Cuba
A terceira etapa desta peregrinação será Cuba. É a primeira vez que a comunidade visitará este país. A 14 de Outubro, terá lugar, em Havana, uma oração na igreja do Sagrado Coração de Jesus e Inácio de Loyola, situada num bairro pobre conhecido como «Los Sítios». Desde há cerca de um ano, um grupo de jovens Cubanos rezam nesta igreja uma vez por mês com os cânticos de Taizé. A 15 de Outubro, terá lugar uma oração em Matanzas, a cerca de duas horas a oeste de Havana. Matanzas, cidade de numerosas pontes, é também um local onde há muitas igrejas protestantes. Este serão de oração pretende ser um meio de atravessar as pontes que separam muitas vezes os cristãos afim de que a Igreja possa ser um lugar de acolhimento para todos.
Para mais informações, contactar:
- P. Carlos Joel Borgos Hernández
- E-mail: pastoral.juvenil@arqhabana.org
República Dominicana
A peregrinação de confiança culminará num encontro de jovens durante o fim-de-semana de 17 a 19 de Outubro em Santo-Domingo, capital da República Dominicana. Este país partilha uma mesma ilha com o Haiti. Os dois povos estão marcados por uma história comum de violência e de conflitos armados. As divisões e feridas entre eles são profundas. Os jovens que se preparam para esta etapa da peregrinação de confiança esperam que muitos Dominicanos e Haitianos possam participar nela. Isso será um sinal de que um futuro de paz e de reconciliação é possível, quando numa grande simplicidade nós nos reunimos para rezar e para nos acolhermos uns aos outros.
Para mais informações contactar:
- Telefone: 1 (809) 482-2524 Ext. 122
- E-mail: republicadominicana@taize.fr
- Internet: www.taize.fr/republicadominicana
- Facebook: www.facebook.com/taizedominicana
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
A fé
A fé
Por que é preciso acreditar para ser salvo?
«O Evangelho é poder de Deus para salvação de todo o crente» (Romanos 1,16). A salvação é a libertação do que desfigura, diminui, destrói a vida. E o poder de que Deus se serve para salvar é «o Evangelho de seu Filho» (Romanos 1,9). Este Evangelho, boa nova, revela Deus dando tudo: o seu perdão, a sua vida, a sua alegria. É por isso que a salvação não está reservada para os que preencheriam certos critérios. É para os bons e para os maus, os sábios e os loucos. Deus salva «todos os que crêem».
Será então a fé a condição para receber este dom de Deus? Se assim fosse, a minha vida, a minha felicidade, a minha salvação dependeriam ao fim e ao cabo de mim mesmo. O que decidiria tudo seria a minha aceitação ou a minha recusa. Esta ideia não corresponde ao que a Bíblia entende ser a fé. A fé não é um meio de que nos servimos para obter qualquer coisa. É uma realidade bem mais humilde, uma simples confiança, sempre cheia de espanto: sem que eu tenha obedecido a nenhuma condição, Deus restabelece-me na sua amizade.
A fé é quase nada, mal se discerne – pequena como um grão de mostarda, diz Jesus (Lucas 17,6). Ao mesmo tempo, é «mais preciosa que o ouro» (1 Pedro 1,7), «santíssima» (Judas 20). Com a esperança e a caridade, permanece para sempre (1 Coríntios 13,13). No séc. VII, Máximo, o Confessor, identifica fé com reino de Deus: «A fé é o reino de Deus sem forma visível, o reino é a fé que tomou forma segundo Deus.» E acrescenta que a fé realiza «a união imediata e perfeita do crente com Deus em quem crê». A fé não é um bilhete de entrada para o reino de Deus. Na própria fé, Deus está presente. Quem acredita e confia no Evangelho já está unido a Deus.
Antes da vinda de Cristo, a fé não era a atitude habitual para se ligar a Deus. Houve crentes excepcionais, como Abraão, e no momento decisivo da travessia do Mar Vermelho, «o povo acreditou no Senhor e em Moisés seu servidor» (Êxodo 14,31). Mas, no dia a dia, a fidelidade contava mais do que a fé. A comunidade da primeira aliança não era formada pelos «crentes», mas pelos «humildes», «os justos», «os santos» (Salmo 34). Foi com o Evangelho de Cristo que a fé, que até aí era uma excepção, se torna normal, a ponto de se poder chamar os discípulos de Jesus simplesmente «os crentes» (Actos 2,44).
Pois, desde que o evangelho revela o dom de Deus sem medida nem moderação, a salvação é oferecida gratuitamente. Já não há condições a preencher, basta crer. Ninguém é excluído do amor de Deus, segundo as palavras do apóstolo Paulo: «Pusemos a nossa esperança em Deus vivo, o Salvador de todos os homens, sobretudo dos crentes» (1 Timóteo 4,10).
Que fazer quando não consigo acreditar?
O Novo Testamento fala quase tanto da dúvida como da fé. Os apóstolos não estavam muito surpreendidos pela dificuldade em acreditar, pois sabiam que ela estava predita pelos profetas. Paulo e João citam a palavra de Isaías: «Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?» (João 12,38 e Romanos 10,16). João acrescenta: «era o que Isaías tinha dito ainda: ‘Cegou-lhes os olhos e embotou-lhes o espírito, a fim de não verem com os olhos e não entenderem com o espírito’» (João 12, 39-40). Os quatro Evangelhos fazem todos referência a esta passagem de Isaías 6. A fé não é evidente.
O Evangelho de João mostra a fé no pano de fundo do seu oposto. Desde o início Cristo é ignorado: «Veio ao que era seu e os seus não o receberam» (João 1,10-11). É verdade que a certa altura, muitos seguiram Jesus. Mas, rapidamente, a maioria deixa de acreditar nele: «Muitos dos seus discípulos retiraram-se e já não andavam com ele» (João 6,66). Jesus não tenta agarrá-los. Constata: «Por isso é que vos disse: ‘Ninguém pode vir a mim se não lhe for concedido por meu Pai’» (João 6,65).
Cristo não procurou suscitar a adesão através da persuasão, pois a fé tem uma profundidade que ultrapassa a inteligência e as emoções. Enraíza-se nessas profundidades onde «o abismo chama outro abismo» (Salmo 42,8), onde o abismo da nossa condição humana toca no abismo de Deus. «Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não atrair» (João 6,44). A fé nasce inseparavelmente da actuação de Deus e da vontade humana. Ninguém acredita se não quiser. Também ninguém acredita sem que Deus o permita.
Se a fé é um dom de Deus e se nem todos acreditam, será que Deus afasta alguns? Na passagem onde João cita Isaías sobre a impossibilidade de crer, também transmite uma palavra de esperança de Jesus: «E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim» (João 12,32). Elevado sobre a cruz e elevado na glória de Deus, Cristo «atrai» como o Pai «atrai». Como é que ele faz para atingir todos os seres humanos? É impossível dizê-lo. Mas por que não havemos de confiar nele no que diz respeito àquilo que nos ultrapassa?
Até à última página, o Evangelho de João mostra a fragilidade da fé. A dúvida de Tomé tornou-se proverbial. Mas o que é decisivo é que, sem acreditar, permanece na comunidade dos crentes – e evidentemente, estes não o expulsam! Tomé espera, o Ressuscitado mostra-se a ele, e ele acredita. Depois Jesus diz: «Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditam!» (João 20,29). A fé não é um feito. Vem inesperadamente, ninguém sabe como. É uma confiança que se espanta com ela própria.
Até à última página, o Evangelho de João mostra a fragilidade da fé. A dúvida de Tomé tornou-se proverbial. Mas o que é decisivo é que, sem acreditar, permanece na comunidade dos crentes – e evidentemente, estes não o expulsam! Tomé espera, o Ressuscitado mostra-se a ele, e ele acredita. Depois Jesus diz: «Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditam!» (João 20,29). A fé não é um feito. Vem inesperadamente, ninguém sabe como. É uma confiança que se espanta com ela própria.
Carta de Taizé: 2004/6
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Rencontre de Riga (Texto em Francês)
SEPTEMBRE 2014
Rencontre de Riga
Rencontre régionale du pèlerinage de confiance en pays baltes
« Devenir sel de la terre »
26–28 septembre 2014
À l’invitation des Églises Luthérienne et Catholique de Lettonie, une étape du « Pèlerinage de confiance sur la terre », animé par la communauté de Taizé depuis de nombreuses années, aura lieu à Riga du 26 au 28 septembre 2014.
Y sont invités les jeunes adultes de 16 à 35 ans de Lettonie, Lituanie, Estonie, Scandinavie, Finlande, Biélorussie, Ukraine, Russie, Pologne et d’autres pays. Au programme de ces journées, la prière en commun avec des frères de Taizé, des rencontres, des ateliers et l’expérience de l’hospitalité des familles et des paroisses de Riga.
En 2014 Riga sera aussi l’une des capitales européennes de la culture. La rencontre donnera ainsi un signe de la foi des jeunes dans le Christ.
Informations pratiques
Les jeunes seront hébergés dans des familles à Riga. L’accueil des arrivants se fera le vendredi matin, suivi par les prières de midi et du soir, et le dîner.
Le samedi matin commencera avec la prière et des rencontres dans les paroisses d’accueil. Suivront le repas de midi et la prière au centre ville ; dans l’après-midi, seront proposés des ateliers sur l’engagement social, la foi et la vie intérieure, la rencontre des cultures, l’art et encore d’autres sujets. Dîner et prière du soir au centre ville.
Le dimanche débutera avec des célébrations dans les paroisses d’accueil, suivies par un repas de midi dans les familles et enfin une prière de clôture au centre ville.
Plus de détails concernant le programme seront publiés au cours du printemps. Merci de consulter cette page pour voir une future mise à jour. Les inscriptions commenceront peu avant Pâques 2014 ; elles pourront se faire à travers le lien ci -dessous. La participation aux frais est estimée à 30 euros environ ; le montant exact sera confirmé plus tard.
Toutes les informations concernant la préparation à Riga sont disponibles sur
http://taizeriga2014.lv/index_en.htm.
http://taizeriga2014.lv/index_en.htm.
NAIROBI, 2014
NAIROBI, 2014
«Tornar-nos líderes segundo o Evangelho»
De 13 a 24 de Agosto, os irmãos de Taizé em Nairobi acolheram dois retiros internacionais. Estiveram reunidos 150 jovens de vários países da África Oriental, incluindo o Sudão do Sul, a República Democrática do Congo, o Burundi, o Ruanda, a Tanzânia e diferentes regiões do Quénia.
O tema «tornar-nos líderes segundo o Evangelho» foi meditando sob vários ângulos bíblicos nas manhãs, enquanto as tardes foram aproveitadas para participar em ateliês ou para visitar pessoas que dão um testemunho de esperança.

À saída da igreja

Tempo de silêncio e de meditação bíblica

Partilha em pequenos grupos

Partilha em pequenos grupos

Ateliê «Do material recuperado à arte»
Contacto:
Taizé community
Mji wa furaha
Thika road, Nairobi
Kenya
Tél. : +254(0)724 664 198
Taizé community
Mji wa furaha
Thika road, Nairobi
Kenya
Tél. : +254(0)724 664 198
Visita de um irmão ao Sudão do Sul
Visita de um irmão ao Sudão do Sul
A violenta crise que eclodiu em meados de Dezembro 2013 esmagou o mais jovem e o mais pobre dos Estados do mundo. As negociações entre os representantes dos dois campos opostos estagnaram. A tristeza e ansiedade da população são grandes. Em áreas não afetadas pelos combates, a vida continua. Neste contexto, é difícil as pessoas deslocarem-se e programar com antecedência alguns encontros, mas uma visita fraterna permite expressar, concretamente, a solidariedade. Foi o que fez um dos irmãos da fraternidade de Taizé com sede em Nairobi, no vizinho Quénia. Ele escreve:
Evacuados com urgência durante a crise, os funcionários da ONG pouco a pouco foram regressando. O pessoal da igreja e os missionários não abandonaram o campo, alguns partilhando o destino das comunidades onde trabalhavam, nas suas deslocações forçadas e nos seus sofrimentos.
Em Juba, as igrejas transformaram-se em lugares de refúgio. Quando fui lá, muitos tinham deixado as paróquias onde eles se tinham refugiado. Mas no Gumbo, nos arredores de Juba, o padre David, salesiano originário da Índia, assume já há seis meses o seu acolhimento, sem o apoio de instituições internacionais: «Acolhemos 1600 deslocados no nosso campo, sendo que 1.200 são crianças, debaixo de 290 lonas de plástico. Eles chegaram de noite. Os homens ficaram para combater. A cólera afetou-nos, mas agora a situação está sob controlo.»

Creche no campo nº 1 em UN House Juba
A irmã Eugénie trabalha nos dois campos geridos pela ONU em Juba. Ela orienta-me pelo labirinto de vielas e nas passagens entre as cabanas. «A parte mais difícil para os homens é a inatividade. Não há trabalho.» A água do Nilo chega em camiões cisternas e é armazenada em tanques e tratada no local.

Seminaristas no seu dormitório
O Estado dos Lagos, no centro do país, é uma região de floresta e de pântanos. Durante a estação das chuvas, as estradas estão intransitáveis. Demora cerca de três horas para percorrer os 60 quilómetros que separam Rumbek, capital do Estado, de Mapuordit. Nesta grande vila, seminaristas no seu dormitório, no pequeno seminário, em Santa Bakhita vivem 53 rapazes originários das quinze paróquias da diocese. Eles estudam durante o dia na escola secundária nas proximidades. Eles acolheram-me durante três dias durante os quais partilhamos, tendo em conta a sua disponibilidade, momentos de oração e reflexão bíblica.
Daniel Ranthiar é agora por duas vezes pai. Sem ter conseguido concluir o ensino secundário, ele tornou-se vice-diretor do mesmo. No seu estabelecimento, ele acolhe dezoito raparigas de aldeias remotas que assim podem chegar mais facilmente à escola. Mas as condições são muito simples. O menu é o idêntico todos os dias: arroz e feijão vermelho. Sem energia elétrica e sobretudo sem água desde que a bomba do bairro deixou de funcionar. Este é o problema de toda a aldeia, das dezasseis bombas apenas três ainda funcionam. Muitos vão encher as vasilhas à torneira do seminário. Tenta-se recuperar a água da chuva, «mas não está limpa!» Mantém-se as poças de lama onde as mães vêm preencher seu pote de barro com um copo.

A família de Daniel Ranthiar
As irmãs de Loreto de Rumbek colocam toda a sua energia e habilidades ao serviço de uma causa: a educação das meninas. Nos países Dinka é uma emergência e um desafio considerável. As raparigas estão todas destinadas a casarem-se em troca de um dote em bovinos para a qual a família do futuro marido é solicitada. Conforme os pedidos, o pai pode decidir do dia para a noite casar a filha, que a partir desse momento passar a «pertencer» à família do marido, que teve de contribuir para o dote. Sr Orla é diretor do liceu: «Todas as semanas, temos um pedido para retirar uma aluna da escola. Às vezes, conseguimos convencer a família de que é melhor para que todos, deixá-la terminar a escolaridade.»

Turmas de 1º ciclo debaixo das árvores, Loreto – Rumbek
Reunimo-nos para começar uma reflexão e estabelecer o tempo de oração com todas as alunas. Algumas já eram líderes no ano passado e constituíram um núcleo muito motivado. Eles continuaram a preparar orações na escola durante todo o ano. O tema desta semana: «Tornar-nos líderes segundo o Evangelho». Desenvolvemo-lo em três etapas: como ser um líder na oração, no serviço aos outros, na proclamação da Palavra de Deus. Às 14:30 lançamento da reflexão bíblica, seguida dos primeiros 45 minutos de reflexão pessoal e do mesmo tempo para a partilha em pequenos grupos.

Grupo de partilha de Loreto – Rumbek
Um dos especialistas no Sudão do Sul partilha a sua análise sobre a crise atual. «Muitos países conheceram um período turbulento após a conquista da independência: os primeiros Estados Unidos em primeiro lugar... Seria uma constante na história? Esta guerra não é bonita. Os sudaneses norte fazem jogo duplo; oficialmente, eles apoiam Juba, mas permitem também a entrega de armas aos rebeldes assim como o seu ajuntamento no outro lado da fronteira. Na altura da independência há três anos, os problemas do país não foram tidos em conta. Agora tudo está sobre a mesa, não podemos escondê-los mais. Mas isso vai levar tempo.»
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