A pedido de várias famílias.
Testemunho de Taize 2014. Primeira vez no meio das montanhas.
Ora, tudo começou como muitos inícios de história de muita gente que vai. Sei lá o que vai acontecer! Fui, segundo a Filomena, de "coração aberto". Um rapaz, no meio de muitos outras pessoas, a procura de algo. Em retrospectiva, fui sem expectativas e talvez por isso venho a abarrotar. Já lá vamos.
Tudo começou na aldeia. Jovens que não sabiam o que fazer. Onde já se viu. "Vamos jogar a aldeia, alinham?" Disse eu. E eles anuíram e estava dado o primeiro passo. Os primeiros amiguinhos. Era o narrador. A minha primeira designação. O narrador. Entretanto, chegados a Taize. Primeira inquietação: onde vou dormir e onde se come. Looool. Mas fico estupefacto com o que havia a minha volta. Natureza em estado puro. Respirei pela primeira vez a calma, a serenidade de tudo e contemplei a beleza. Sem que me apercebesse, o tempo parou naquele momento. 0.00. Um novo começo. Tela em branco. A partir dai, como por isto em palavras? Não sei bem mas darei o melhor. Taize e a prova de que e possível se estiveres aberto a amar e sobretudo disponível a receber. Todos nós, e quase invariavelmente, procuramos algum sentido na nossa vida. Nascemos, crescemos e morremos. No meio disto tudo, experienciamos e e nos dado a conhecer várias realidades mas tudo isto só faz sentido se o fizermos em comunidade. Primeira aprendizagem. Por vezes, sabemos isso mas lá temos a consciência de que e possível a experiência. E com isso, epifinamos. Só fazemos sentido se procurarmos nos outros o sentido da nossa vida. Ninguém pode viver isolado. Melhor, ninguém vive no isolamento porque não se põe na brasa da vida. No contacto com os outros e que nos ficamos a conhecer melhor porque nos testamos no processo. Mas isso requer algo. Coragem de viver e de ir ao encontro dos outros. Temos de arriscar se queremos abraçar a vida no seu todo. E porque Deus nos deu a liberdade de amar e sonhar segundo a vontade de cada um, o processo e igualmente singular. Cada um tem e percorre o seu caminho e porque se respeitar a diferença na unidade, então comunidade e outros não só fazem parte da vida como são imperativos para nos conhecer e procurarmos aquilo que representamos no mundo.atreve-te a viver caramba. Não vivas adormecido. Mais vale cair e doer do que não saber. Da a ti mesmo a oportunidade de fazer descobertas. E com alguma sorte, até epifanizas e ficas a saber um pouco mais de ti. Trai-te a ti mesmo se isso te libertar. Retira da equacao aquilo que te retrai e acrescenta o que te move. Porque trair e sair da fila e partir para o desconhecido. Espero que gostes de dançar, porque quando quando abres a porta por onde a alma sai e se liberta... Atreve-te.
Segunda aprendizagem. Simplicidade. Adorei tudo o que via. Pode parecer clichê e mais um que anda para aqui a fazer utopia, mas aquele lugar tornamos-nos mais sensiveis ao que nos envolve. E de alguma forma, confirmamos que somos mais do que a nossa própria realidade. Formas, cores, aromas. E tudo isto e natural. Natural e simples. Não e preciso saber mais. Aprendi com isto que se não racionalizarmos, as vezes vemos as coisas de outro prisma. Damos voltas de vários graus mas por mais pequena que seja, mudamos algo. No que me respeita, voltei ao básico. Back to basics. E com isso, dei umas valentes cambalhotas. Estou a assimilar ainda o que isso significa. Ou então não. Vamos ver no que da
Agora o que ficou no fim? Não vos contarei toda a experiência, há pessoas e momentos que nos marcaram de formas que transcendem a forma como percebemos e percepcionamos. Mas sabemos que operaram em nos porque me tocaram. De qualquer forma, agradeço tudo e todos que ficaram na foto no fim. A todos os que me acompanharam, obrigado por me acolherem nos vossos braços mesmo quando não vos chamava. Em braços de muitos, chorei em pranto. E não me incomoda partilha-lo, sou humano e humanista e da mesma forma que rimos, zangamos, também choramos e não devemos esconder. Tudo faz parte da experiência humana. Abraça tudo. Nao és menor e nao tira nada, acrescenta se tiveres disposto a receber. E a maior aprendizagem de todas. Aprender a receber. Agradeço a comida de guerra que comemos. Agradeço os momentos de oração em comunidade, por todos aqueles que acompanharam nesta jornada, faces que procuravam, que oravam, que amavam, que iluminavam os outros. Cada um de nos e luz de si e dos outros. Somos os outros elevado ao quadrado e os outros raiz quadrada de nos. Agradeço a nova vida que em mim nasceu. Por fim, agradeço a minha família. Eles sim, são o derradeiro amor, confirmação e luz. Já escrevi de mais. O essencial ficou. Há mais que ficou. Mas dou vos a palavra também.
Ah outra coisa, reganhei algum brilho nos olhos. Foi o que de melhor ganhei. Olhos que brilham e que acreditam.
Sim, estou mais parvo do que e costume, mas até e uma parvoíce fixe. Sou portanto mais do que aquilo que era.
Neste momento, prometo, eu sou infinito. Sim, porque quem busca o infinito, só tem de fechar os olhos.