terça-feira, 1 de julho de 2014

Textos bíblicos com comentário

Textos bíblicos com comentário

Estas meditações bíblicas são sugeridas como meio de procura de Deus no silêncio e na oração, mesmo no dia-a-dia. Consiste em reservar uma hora durante o dia para ler em silêncio o texto bíblico sugerido, acompanhado de um breve comentário e de algumas perguntas. Em seguida constituem-se pequenos grupos de 3 a 10 pessoas, para uma breve partilha do que cada um descobriu, integrando eventualmente um tempo de oração.
2014

Julho

Job 1,1-21: Acreditar em vão?
Havia, na terra de Uce, um homem chamado Job. Era um homem íntegro e recto, que temia a Deus e se afastava do mal. Tinha sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas e uma grande quantidade de escravos. Este homem era o mais importante de todos os homens do Oriente. Os seus filhos costumavam ir, cada dia, à casa uns dos outros, para fazerem banquetes, e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e beberem com eles. Quando acabava a série dos dias de festim, Job mandava chamar os filhos para os purificar e, levantando-se na manhã seguinte, oferecia um holocausto por cada um deles, porque, dizia ele: «Talvez os meus filhos tenham pecado, ofendendo a Deus no seu coração.» Assim fazia Job todas as vezes. Um dia em que os filhos de Deus se apresentavam diante do Senhor, o acusador, Satanás, foi também junto com eles. O Senhor disse-lhe: «Donde vens tu?» Satanás respondeu: «Venho de dar uma volta ao mundo e percorrê-lo todo.» O Senhor disse-lhe: «Reparaste no meu servo Job? Não há ninguém como ele na terra: homem íntegro, recto, que teme a Deus e se afasta do mal.» Satanás respondeu ao Senhor: «Porventura Job teme a Deus desinteressadamente? Não rodeaste Tu com uma cerca protectora a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens? Abençoaste o trabalho das suas mãos, e os seus rebanhos cobrem toda a região. Mas se estenderes a tua mão e tocares nos seus bens, verás que te amaldiçoará, mesmo na tua frente.» Então, o Senhor disse a Satanás: «Pois bem, tudo o que ele possui deixo-o em teu poder, mas não estendas a tua mão contra a sua pessoa.» E Satanás saiu da presença do Senhor.
Ora, um dia em que os filhos e filhas de Job estavam à mesa, e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, um mensageiro foi dizer a Job: «Os bois lavravam e as jumentas pastavam perto deles. De repente, apareceram os sabeus, roubaram tudo e passaram os servos a fio de espada. Só escapei eu para te trazer a notícia.» Estava ainda este a falar, quando chegou outro e disse: «Um fogo terrível caiu do céu; queimou e reduziu a cinzas ovelhas e pastores. Só escapei eu para te trazer a notícia.» Falava ainda este, e eis que chegou outro e disse: «Os caldeus, divididos em três grupos, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos, depois de terem passado os servos a fio de espada. Só eu consegui escapar, para te trazer a notícia.» Ainda este não acabara de falar, e eis que entrou outro e disse: «Os teus filhos e as tuas filhas estavam a comer e a beber vinho na casa do irmão mais velho quando, de repente, um furacão se levantou do outro lado do deserto e abalou os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens. Morreram todos. Só eu consegui escapar, para te trazer a notícia.» Então, Job levantou-se, rasgou as vestes e rapou a cabeça. Depois, prostrado por terra em adoração, disse: «Saí nu do ventre da minha mãe e nu voltarei para lá.
O Senhor mo deu, o Senhor mo tirou; bendito seja o nome do Senhor!» Em tudo isto, Job não cometeu pecado, nem proferiu contra Deus nenhuma insensatez. (Job 1, 1-21)
Porque sofremos? Porquê tanto sofrimento dos justos e dos inocentes? Estas questões, tão antigas como a humanidade, surgem igualmente na Bíblia, principalmente no livro de Job, um texto tardio do Antigo Testamento que pode datar do século IV a.C. O livro de Job oferece ao tema universal do sofrimento do justo uma ênfase particular. Porque o povo de Israel se encontra unido a Deus por uma aliança, respondeu com uma promessa de fidelidade ao compromisso irrevogável do seu Deus. Porém, eis que o Deus de Israel, o Deus da aliança, parece esquecer-se dos fiéis, ou mesmo causar-lhes sofrimento. E surge a questão: «Porquê ser fiel se isso não muda nada?»
Com grande delicadeza, o autor não aborda a questão frontalmente. Ao invés, discorre longamente, surpreendo os seus leitores com a narrativa da história de um estrangeiro, a história de Job, um «filho do Oriente». Mas não nos deixemos enganar. Apesar de ser estrangeiro, Job reflectirá, falará e agirá como um fiel Israelita. A sua história é uma parábola, uma reflexão surpreendentemente actual sobre a gratuitidade da fidelidade a Deus. Não dá resposta à razão do sofrimento, mas questiona-nos sobre a razão da nossa fé.
O primeiro capítulo começa por desenhar o retrato de Job no país de Uce, homem excepcional a todos os níveis. A sua integridade moral e piedade são totais. É um pai excepcional para os seus dez filhos. E a imensidão dos seus bens faz de si o homem era o mais importante de todos os homens do Oriente.
Do país de Uce, o relato conduz o leitor à sala do trono de Deus. É um dia de audiência. O senhor recebe a sua corte, «os filhos de Deus». Tratam-se dos seus ministros e servos, também chamados anjos ou mensageiros. Entre eles, encontra-se «Satanás». Não se trata exactamente do diabo. Corresponde, sobretudo, ao que nós chamaríamos de advogado, o «advogado do diabo», o acusador, o que coloca tudo em causa, o que procura a falha, mas que pode, também, ser alguém honroso. Na cena a que o livro de Job nos faz assistir, Satanás assemelha-se a um agente dos serviços de inteligência ou um jornalista de investigação, regressado há pouco de uma visita ao mundo terreno, onde recolheu imensa informação.
Dialogando com ele, Deus menciona Job. Deus possui incontáveis servos no céu, mas tem orgulho no seu servo Job. Sublinha perante Satanás que Job é único: «não há ninguém como ele na terra» - assim como não há ninguém como Deus no céu. Contudo, Satanás, um formidável advogado do diabo, responde que não possui assim tantas certezas, que é fácil para Job ser irrepreensível porque tudo na sua vida corre bem. Levanta a questão:
«Job teme Deus gratuitamente? Job ama Deus gratuitamente? Será que pode existir afecto a Deus sem se esperar nada em troca?»
Podemos perguntar-nos se não teria sido melhor não procurar uma resposta a qualquer preço. Pois o preço que Job vai pagar é enorme. Mas não é essa a pergunta que devemos fazer, é importante lermos a história como uma grande parábola que tem a sua própria lógica. Com uma ingenuidade aparente, ela conta como Deus se entusiasma com as qualidades excepcionais do seu servo Job. Face a Satanás – sério, crítico e desconfiado, como um adulto – Deus, com a sua candura, parece-se com uma criança.
Desafiado por Satanás, Deus mantém a sua confiança. Aposta que, aconteça o que acontecer, Job vai demonstrar a falsidade das insinuações de Satanás, que é a desconfiança em pessoa. Deus arrisca a sua honra na pessoa de Job. Job vai mostrar se Deus tinha razão em confiar ou se Deus tem que admitir a Satanás que a suspeição era fundamentada.
Sem que o saiba, Job dá razão a Deus e fecha a boca a Satanás. Testemunha que existe um afecto gratuito a Deus, um amor sem esperar nada em troca além de amar a Deus.
- Quem é, para mim, testemunha de uma fé autêntica?
- Porque será que Deus ama a fidelidade gratuita, o amor que não espera nada em troca?
- Por que razão procuro Deus, por que me afeiçoo a Deus?

segunda-feira, 16 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

MEDITAÇÃO DO IRMÃO ALOIS


A fonte da esperança

Sábado 31 de Maio de 2014
Vários de entre nós, irmãos, acabámos de regressar de diversas visitas que realizámos na Primavera. Uns estiveram na Ucrânia, um outro na Rússia. No grave conflito que aí se desenrola neste momento, há em ambos os países mulheres e homens que ambicionam a paz.
Eu próprio estive, com outros irmãos, no México, para um encontro de 2000 jovens de diferentes países, onde tivemos uma vigília de oração no santuário da Virgem de Guadalupe, momento em que vários milhares de pessoas da cidade se juntarem a nós.
Alguns irmãos vão, também, deixar Taizé rumo ao Brasil e Bangladesh, onde vivem muito próximos dos mais pobres.

Aqui, em Taizé, em cada ano, por altura da festa da Ascensão, ficamos sempre admirados ao ver a nossa Igreja da Reconciliação encher-se desta forma. Os jovens vêm em grandes números, é uma verdadeira festa da Primavera. Então nós, irmãos, perguntamo-nos: porque vêm? O que procuram?
Quando coloco esta questão a um ou outro de entre vós, dou-me conta de que as respostas são variadas. Alguns dizem: encontrar outros jovens. Outros, pelo contrário: o silêncio. Outros respondem ainda: a oração comum com os cânticos que se prolongam pela noite. E recebo ainda muitas outras respostas.
Todas estas respostas, na sua diversidade, possuem algo em comum: todas revelam uma procura de esperança, para olhar o futuro com alegria e não com medo.
Nós, irmãos, encontramos igualmente neste caminho convosco e no acolhimento que tentamos oferecer-vos uma esperança que nos estimula, sobretudo quando vemos que, além da estadia aqui, procuram construir a vossa vida com base na confiança em Deus.
A fonte da esperança não está em nós. Não somos nós que a produzimos. Então, como receber a esperança? A festa que celebramos a partir de quinta-feira pode abrir em nós a fonte da esperança. Mas o que significa a Ascensão, este momento em que Cristo sobe ao céu?
Recorrendo a uma linguagem metafórica, a Bíblia deseja dizer: que a morte não tem a última palavra. Jesus morreu mas também ressuscitou, e alberga em si todos os que ama, toda a humanidade. Com ele, a nossa humanidade é acolhida em Deus.
Sim, Cristo, mesmo invisível, está perto de cada um de nós. O que nos inquieta em nós mesmos, ele carrega-o. Encarrega-se das nossas faltas. Ama apaixonadamente cada um. Abre-nos o caminho para estar com Deus para sempre. Cristo espera-nos.
Se todos nós, cada um e cada uma de entre nós, se pudéssemos, nestes dias, acolher de novo esta confiança no amor de Cristo.
As catástrofes e as ameaças que pendem sobre o planeta e sobre a humanidade, por mais reais que sejam, não são a verdade última. A nossa humanidade tem um futuro, para além dos limites que nos parecem intransponíveis, para além do sofrimento e da morte. E na nossa oração, mesmo que muito pobre, estamos já ligados a este outro plano.
Isto não é uma teoria, é uma realidade. É este o sentido da festa que celebramos estes dias. Para entrar nesta festa, para saborear a alegria e a esperança que faz nascer, não nos podemos contentar com palavras ou ideias. Devemos perguntar-nos: o que posso mudar na minha vida quotidiana para ser consistente com esta confiança de que Deus é amor?
Quando procuramos dar resposta a esta questão na nossa vida de todos os dias, independentemente da situação em que a encontramos, surge uma dinâmica, uma fonte brota em nós.

Esta noite, acolhemos um novo irmão na nossa comunidade, que vem da China. É uma imensa alegria para nós. Decidiu colocar a sua confiança em Cristo no centro da sua vida. Certamente que confiar não significa sentir sempre o amor de Deus, mas vivê-lo através da nossa vida fraternal.
Para nós, os irmãos, o essencial não é sermos bons organizadores de encontros de jovens. O essencial é sermos irmãos uns para os outros, cumprir a bondade de Jesus entre nós. A nossa grande diversidade torna esta vida de comunidade exigente, mas, ao mesmo tempo, plena de beleza.
No momento do vosso regresso a casa, quero encorajar-vos a tomar também uma decisão: como viver a bondade de Cristo no vosso meio, com os que vos estão próximos? Trata-se de recomeçar sempre sem desanimar.
A bondade de Cristo impele-nos a ir junto dos que sofrem, junto dos excluídos. Façam visitas para tocar de perto situações de precariedade que estão, talvez, muito próximas de vós. Alimentam tanto a nossa confiança em Deus. E então, compreendemos melhor as palavras de Cristo: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos.»

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A Ascensão, vitral do irmão Eric de Taizé

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Colóquio internacional

O ANO 2015 EM TAIZÉ

Colóquio internacional

Colóquio sobre a contribuição do irmão Roger para o pensamento teológico
De domingo 30 de Agosto a domingo 6 de Setembro
Colóquio internacional para jovens teólogos: estudantes de teologia, investigadores ou pessoas comprometidas há vários anos num ministério da Igreja.
O irmão Roger não participou em debates de teologia universitária. Porém, manteve sempre amigos teólogos. E desenvolveu um pensamento original, perceptível tanto nos seus escritos como na vida da Comunidade e nos encontros de jovens.
Teólogos protestantes, ortodoxos e católicos de diversos países virão ajudar a trazer à luz alguns aspectos do seu pensamento e da procura de Taizé.
O programa detalhado da semana será publicado na Primavera de 2015.
As inscrições já estão abertas: clicar aqui.
Não se esqueça de mencionar na inscrição que vem para participar no programa deste colóquio.
Para outras informações práticas: info2015@taize.fr

O ANO 2015 EM TAIZÉ

O ANO 2015 EM TAIZÉ

Semana de reflexão sobre a actualidade da vocação religiosa

De domingo 5 a domingo 12 de Julho
Encontro internacional para jovens que escolheram a vida monástica ou religiosa, estejam ainda em período de formação ou comprometidos há vários anos.
Com a ajuda de responsáveis de congregações, comunidades e mosteiros, católicos, ortodoxos e protestantes, e a partir daquilo que de específico o irmão Roger pôde contribuir para a «grande árvore da vida monástica» – de que Taizé é «um simples rebento enxertado», como ele dizia – os participantes irão reflectir sobre o sentido da vocação nos dias de hoje. Terão também lugar partilhas bíblicas e diversos ateliês.
O programa detalhado da semana será publicado na Primavera de 2015.
As inscrições já estão abertas: clicar aqui.
Não se esqueça de mencionar na inscrição que vem para participar no programa desta reflexão sobre a vocação religiosa.

domingo, 1 de junho de 2014

Textos bíblicos com comentário

Lucas 6,20-23: Felizes vós!
Erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer:
«Felizes vós, os pobres,
porque vosso é o Reino de Deus.
Felizes vós, os que agora tendes fome,
porque sereis saciados.
Felizes vós, os que agora chorais,
porque haveis de rir.
Felizes sereis, quando os homens vos odiarem,
quando vos expulsarem,
vos insultarem
e rejeitarem o vosso nome como infame,
por causa do Filho do Homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia,
pois a vossa recompensa será grande no Céu.
Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas».
(Lucas 6, 20-23)